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Vacina contra o HPV – Parte II


Por Maria Ignez Saito*

Saiba a quais grupos a vacina é indicada

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É sabido que os grupos de risco para aquisição do Papiloma Vírus Humano (HPV) são os adolescentes e jovens, e que o risco para aquisição desta DST varia entre 50-75%, mesmo que se considere um único parceiro.

Os estudos da vacina foram realizados em populações virgens e populações comuns que já haviam tido até contato com o vírus. Por tratar-se de um produto profilático, ou seja, que visa prevenir contra doenças, o ideal é que fosse aplicada antes do início da atividade sexual. Ainda por esta razão, é importante ressaltar que quanto mais cedo a imunização for realizada, maior a chance de proteção do paciente.

Contudo, a vacina também é recomendada para pessoas que já iniciaram atividade sexual (virgens ou não, posto que o HPV é vírus de contato). Isso porque, mesmo os indivíduos que já foram infectadas pelo HPV, continuam se beneficiando na prevenção dos demais tipos contidos na vacina (sorologia positiva para 1, 2, 3 e 4 tipos de HPV contidos na vacina é igual a 20,8%, 4,8%, 1,2% e 0,4%, respectivamente).
É incontestável salientar o benefício da vacinação para o sexo masculino, realizada em três doses, 0, 2 e 6 meses, entre 9 e 26 anos. A proteção é persistente contra infecção de 86%, contra verrugas de 89,4% e contra o câncer anal de 75% (para o grupo não exposto aos tipos virais contidos na vacina). Embora a vacinação para o sexo masculino ainda não seja contemplada pelo Ministério da Saúde, deve ser preconizada pelos pediatras e profissionais de saúde que atuam principalmente na rede básica, como aqueles vinculados ao Programa de Saúde da Família. Entretanto, neste caso, a vacina está disponível apenas em clínicas privadas.

Conclusão
• A vacina quadrivalente contra o HPV foi aprovada em 127 países e sua segurança e eficácia estão bem estabelecidas por organizações internacionais da maior competência e idoneidade, tendo que para isso satisfazer os mais rigorosos princípios exigidos. Entre elas se destacam: a Organização Mundial de Saúde (OMS), Organização Panamericana de Saúde (OPAS) o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), a Agência Europeia de Medicamentos (EMEA), Food and Drug Administration (FDA), Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Ministério da Saúde (MS) no Brasil.
• Comprovou-se em relação à vacina quadrivalente recombinante 6, 11, 16, 18:
o Alta eficácia na prevenção de câncer cervical, vulvar, vaginal e outras doenças ano-genitais causadas pelos tipos 6, 11, 16 e 18;
o Substancial redução de CIN 2/3 e AIS, comparada ao uso de placebo;
o Imunogenicidade comprovada em adolescentes e jovens de ambos os sexos e mulheres adultas;
o Evidência de resposta anaminéstica;
o Segurança;
o Boa tolerância;
o Boa aceitação;
o Efeitos colaterais locais e apenas febre como efeito adverso sistêmico.

É importante salientar que a vacinação não estimula a prática sexual e, muito menos, a promiscuidade. O que leva à atividade sexual precoce é uma sociedade altamente erotizada, a quebra de valores familiares, a mídia como agente educador, a falta de projeto de vida, o estímulo constante de uma liberdade sem responsabilidade. Por outro lado a promiscuidade seguramente estará ligada à baixa autoestima, a miséria e a violência.

 

*Maria Ignez Saito é Profª. Livre-docente pelo Depto. de Pediatria da FMUSP, Presidente do Depto. de Adolescência da SPSP, Membro da Comissão Científica do Programa de Saúde do Adolescente – Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo

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