busca por faixa etaria

Todos com a carteirinha em dia?


da redação

A varíola já foi erradicada, já a poliomielite e o sarampo estão cada vez mais distantes da nossa realidade. Ainda assim não podemos baixar a guarda! Veja porque é importante continuar protegendo as crianças

Na década de 70, o Brasil conviveu com a alta incidência de poliomielite (ou paralisia infantil), doença infecto-contagiosa viral aguda, transmissível pelo contato com objetos, alimentos ou água contaminada com fezes, e que pode ou não causar paralisia. Felizmente, o último caso da doença, que se configurou como o grande mal da época, foi registrado em 1989 no Brasil. Essa conquista se deu de forma mais acentuada a partir do início da década de 80, quando foram implantados os dias nacionais de vacinação, abrangendo a grande massa. Assim, diante da aceitação pública nas campanhas, o Zé Gotinha foi adotado como símbolo do Programa e impulsionou o sucesso das campanhas de imunização, que desde então, têm sido essenciais para manter a doença bem longe das Américas. “Mas, como o vírus da pólio ainda circula no Afeganistão, Paquistão e na Nigéria, corremos o risco de contrair casos importados, assim como ocorre com o sarampo, que também está presente em pontos da África, Ásia e Europa. Então, não podemos baixar a guarda! Temos que manter nossas campanhas a todo o vapor”, alerta o doutor Gabriel Oselka, professor associado do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da USP.

“Ao lado do saneamento básico, a vacinação é a ação de saúde pública com maior impacto positivo na mortalidade infantil. A boa saúde e qualidade de vida estão diretamente ligadas a esses dois fatores”, ressalta o doutor Marcelo Vallada, pediatra infectologista do Instituto da Criança.

Mais longevidade para todos

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em dez anos, a mortalidade infantil caiu 47% no Brasil. Por outro lado, em curva ascendente, está a expectativa de vida de 72 anos.

O rigor com a imunização, certamente, é um dos fatores que colaboraram para esses índices. “O brasileiro gosta de tomar vacina. A cobertura vacinal no Brasil e o comprometimento dos pais são exemplares. No primeiro ano de vida, mais de 95% das crianças tomam todas as doses, e a maioria o faz nos tempos corretos. No caso dos mais velhos, esse índice cai um pouco, mas ainda assim é satisfatório”, afirma doutor Marcelo.

Por conta disso, a lista de doenças erradicadas ou de raras incidências no país só aumenta. A varíola foi erradicada, há mais de dez anos não são registradas mortes por sarampo, quase não há incidência de tétano neonatal e a mortalidade por coqueluche e difteria também é bastante rara. De acordo com doutor Gabriel, a expectativa é que em 2015, a próxima a ser erradicada seja a poliomielite.

“Também observamos uma queda consistente no número de casos de hepatite B. A vacina entrou na rotina brasileira há mais de 15 anos e as nossas crianças estão imunes. Quem pode pegar hepatite hoje é o adulto com mais de 40 anos que não está imunizado”, complementa doutor Marcelo.

Atualmente, a expectativa dos médicos é que haja uma queda considerável de internação e consultas por conta de diarreia com a vacina contra o Rotavirus, já presente no Programa Nacional de Imunização (PNI) desde 2006. “Já observamos uma diminuição considerável no número de pacientes não apenas com diarreia, mas também vítimas de desidratação”, comenta doutor Marcelo.

Atualmente, a expectativa dos médicos é que haja uma queda considerável de internação e consultas por conta de diarreia com a vacina contra o Rotavirus, já presente no Programa Nacional de Imunização (PNI) desde 2006. “Já observamos uma diminuição considerável no número de pacientes não apenas com diarreia, mas também vítimas de desidratação”, comenta doutor Marcelo.

A imunização regular diminui a frequência de:

  • Consultas médicas
  • Internações por diarreia ou meningite
  • Gastos com medicamentos
  • Ausência dos pais no trabalho por conta dos tratamentos dos filhos.

Traz benefícios indiretos até para aqueles que não são vacinados, pois, com a maioria imunizada, cria-se o que se chama de imunidade coletiva, já que, aos poucos, os agentes infecciosos deixam de circular.

Calendário Vacinal: diferenças entre a rede pública e privada

Em 2013, o PNI, que é coordenado pelo Ministério da Saúde e executado pelas Secretarias Municipais e Estaduais, completa 40 anos. “Trata-se de um dos programas públicos mais bem sucedidos, primeiramente por disponibilizar o maior número possível das vacinas seguras e eficazes que existem no mundo, por meio de mecanismos de conservação e administração, igualmente seguros. Além de atingir a população-alvo em percentuais muito elevados em campanhas sistematicamente satisfatórias, a capacitação dos profissionais envolvidos no Programa é excelente”, afirma doutor Gabriel.

A grande maioria das vacinas oferecidas pelo programa é igual às das clinicas privadas, mas, para algumas delas, há restrição de faixa etária ou diferença no número de doses.

Por exemplo: na rede pública, a vacina contra a gripe está sendo aplicada em crianças de até dois anos, que não estejam expostas a nenhum fator de risco. “Porém, quando se trata de vítimas de doenças imunológicas ou respiratórias graves, também é possível imunizar outras idades na rede pública. Mas se o paciente for sadio e estiver fora dessa faixa etária, terá que recorrer às clínicas”, complementa doutor Marcelo.

Há alguns anos, havia uma fila de seis ou sete vacinas que já estavam disponíveis na rede privada, mas não na pública. Mas, recentemente, essa realidade mudou: a vacina contra varicela (catapora) já está disponível no Sistema Único de Saúde (inicialmente com uma dose) e, para o primeiro semestre de 2014, a expectativa é incluir a vacina contra a hepatite A (também com uma dose) e provavelmente, também a do HPV. Com isso, a fila de doenças a serem prevenidas, praticamente acabou. “A introdução de novas vacinas teve uma velocidade muito maior do que esperávamos, o que tornou as diferenças entre os calendários público e privado muito pequenas em termos de impacto na saúde pública. Então, quem recorre somente ao PNI está muito bem servido”, garante doutor Gabriel.

Já doutor Marcelo prefere recomendar que os pais sigam os calendários da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIM), para uma proteção completa, pois ambos preveem a dupla imunização em alguns casos.

Entretanto, doutor Gabriel defende que a segunda dose apenas diminua o risco, que segundo ele, já é pequeno, de falha vacinal. “Ainda assim, aquele que não tiver acesso à segunda dose e contrair catapora, terá uma versão atenuada da doença. Mas, basta apenas uma vacina para reduzir drasticamente o índice de internações e até de mortes por catapora. Com apenas uma dose consegue-se diminuir também a circulação do vírus, então, também constatamos uma diminuição coletiva do contato com a varicela”, contrapõe doutor Gabriel.

ABC da Saúde Infanto-Juvenil. Todos direitos reservados |2013