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Desafios médicos da prematuridade


* Por Maria Esther Jurfest Rivero Ceccon

No Brasil e no mundo o índice de mortalidade infantil (crianças menores de cinco anos) diminuiu, de maneira significante. No entanto, a mortalidade neonatal (de 0 a 28 dias de vida) ainda contribui com a maior parcela desta mortalidade (36%) sendo a prematuridade uma das principais causas (28%)

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De acordo com o Ministério da Saúde, em 2010, 7,2% dos nascidos vivos no Brasil eram prematuros. Desde então, há registros de aumento do nascimento destes recém-nascidos, principalmente os de baixo peso (< 2500g,), e este grupo isoladamente, é um grande fator para mortalidade, principalmente, os de muito baixo peso (<1500g).

Neste século, o desafio para os profissionais de saúde é diminuir a taxa de mortalidade por prematuridade e, além de ajudá-los a sobreviver, atuar no sentido de minimizar as sequelas, principalmente, as neurológicas. Em grandes Centros Brasileiros onde se atende gestantes de alto risco consegue-se que os prematuros sobrevivam mais devido à melhor infraestrutura para o cuidado, e aconselha-se que a gestante que venha dar à luz um bebê prematuro deva ser encaminhada para estes centros.

Em relação ao cuidado respiratório, antigamente, a aparelhagem não era adequada para os  prematuros. Mas, nos últimos anos melhorou muito, porque foi adaptada à anatomia das vias aéreas, além do aprimoramento científico, pois a Medicina passou a conhecer melhor a fisiopatologia das doenças do prematuro. Esses avanços propiciaram atendimento especializado para estes bebês, visando evitar possíveis sequelas para o pulmão, visão, audição e coração. No âmbito médico, o advento do medicamento chamado surfactante, para o pulmão, impactou de forma significativa na sobrevida dos nascidos pré-termo.

Entenda a atuação do surfactante

Todos os bebês que nascem bem e choram forte na sala de parto fazem entrar ar nos pulmões e, dessa maneira, o oxigênio no sangue aumenta.  Entretanto, no caso de bebês prematuros, esse processo pode não ocorrer naturalmente. Isso porque, dependendo da semana gestacional, a formação dos alvéolos pode não ter ocorrido completamente. O surfactante é produzido dentro dos alvéolos para mantê-los abertos. Por isso, quando não há a substancia, nos a suplementamos. A partir do início da década de 90, a indústria farmacêutica fabricou o composto, que contém as proteínas B e C, responsáveis por abrir os alvéolos pulmonares.

Dentre as transformações sociais que melhoraram a sobrevida e a qualidade de vida dos prematuros, destaca-se a adesão e a acessibilidade da gestante ao pré-natal, com realização de pelo menos seis consultas. Quando a mãe não consegue ir ao posto para o acompanhamento, os profissionais da saúde da família prestam atendimento de ótima qualidade nas residências.

A obrigatoriedade do pediatra na sala de parto também deve ser ressaltada, assim como os Programas de Reanimação Neonatal, que se estenderam pelo Brasil inteiro a partir dos anos 90.

Sendo assim, fazer sobreviver um prematuro extremo (< 1000g) é ainda um desafio, porém, isto é possível. No entanto, o nosso dever neste século, é conseguir uma sobrevida com o mínimo de sequelas possíveis.

Isso porque, bebês que nascem antes de concluir o período gestacional correm riscos de desenvolver problemas de saúde que decorrem, sobretudo, da imaturidade dos órgãos, principalmente do pulmão. A sequela pulmonar, denominada Displasia Broncopulmonar, ocorre mais em recém-nascidos que nascem entre 24 e 28 semanas.                                       

Ainda dentre as sequelas graves que os prematuros podem apresentar, uma delas é a retinopatia da prematuridade, que pode levar à cegueira, e a sequela auditiva, também muito frequente. Por isso, antes de receber alta, o bebê é submetido aos testes do reflexo vermelho para verificar a visão, ao da orelhinha, para audição, e ainda o do coraçãozinho, para afastar uma cardiopatia grave.

Causas atuais predominantes

De acordo com um estudo realizado no Hospital de Sapopemba (Zona Leste da cidade de São Paulo) que comparou filhos de mães adultas com os de mães adolescentes, os autores observaram que a prematuridade foi superior nas mães adolescentes, além do uso de drogas, quando comparadas às mães adultas.  Hoje a maioria dos bebês prematuros nasce em decorrência da gravidez na adolescência, considerada de alto risco (gestantes portadoras de doenças como hipertensão arterial, diabetes não controlado). Em relação à inseminação espera-se quase sempre mais de um bebê, por isso, a prematuridade também é mais frequente.

Fontes de apoio:

World Health Organization

Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo

 

 Maria Esther Jurfest Rivero Ceccon é neonatologista, professora livre-docente pela Faculdade de Medicina da USP e chefe técnica do Centro de Tratamento Intensivo Neonatal 2 do Instituto da Criança do HC FMUSP

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