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Para manter a dengue longe das crianças

| 19.02.2016

da redação

Elas têm o mesmo risco dos adultos de contrair a doença, mas, o quadro de sintomas pode ser ainda mais variado, então, os pais devem estar atentos! Saiba como proteger seu filho corretamente do mosquito causador da epidemia do verão

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Febre alta, dores de cabeça, dores musculares e nas articulações e manchas pelo corpo. Os já conhecidos sintomas de dengue são fáceis de reconhecer nos adultos, mas, nas crianças, sobretudo, os bebês, a doença se manifesta de forma variada. “Em menores de cinco anos não é tão comum observarmos uma manifestação clássica. Frequentemente a doença se apresenta somente com a presença de febre e mal estar”, comenta doutor Marcelo Vallada, pediatra do Instituto da Criança.

A dificuldade que os pequenos têm em referir sintomas como dor de cabeça, assim como de ponderar a intensidade da dor é outro fator que torna o diagnóstico clínico de dengue mais difícil para o pediatra.

“Por isso, o médico deve estar atento aos pacientes que venham de áreas endêmicas, com surtos alarmantes. Dengue deve fazer parte do diagnóstico diferencial quando a criança apresentar febre, sem nenhuma causa específica evidente ao exame físico. Mas, frequentemente, só conseguimos definir o diagnóstico da doença mediante sorologia ou outros exames específicos”, afirma o especialista.

Tratamento

Como não há antiviral específico para o vírus da dengue, o foco está em amenizar os sintomas com paracetamol ou, em alguns casos em que não for suficiente ou contraindicado, com dipirona. Mas, diante de um paciente com febre prolongada e suspeita de dengue, mesmo sem ter comprovado o diagnóstico, doutor Marcelo alerta para a necessidade de uma avaliação mais detalhada, eventualmente, com a realização de exames laboratoriais. “A verificação da queda de plaquetas e aumento da concentração de hemoglobina reforça a suspeita de dengue e, dependendo dos níveis em questão, pode indicar maior gravidade da doença. Neste sentido, também para não aumentar a probabilidade de hemorragia, medicamentos que contenham ácido acetilsalicílico e que interfiram na coagulação não devem ser usados”, complementa.

Diante da suspeita de dengue em crianças, o pediatra pode sentir necessidade de reexaminá-las mais de uma vez. Faz parte da consulta verificar a pressão arterial, se há sinais de sangramento ou desidratação, orientar repouso e a ingestão de bastante líquido. “A mãe deve ser muito bem orientada pelo médico para saber identificar possível piora do paciente. Pontos de sangramento (principal complicação na dengue), dores abdominais muito intensas, se o filho tiver dificuldade de respirar, ou permanecer prostrado e letárgico, ela deve recorrer ao serviço de emergência ou ao consultório do pediatra de sua confiança.”

No entanto, vale lembrar que tais sintomas não são exclusivos de dengue, até porque o próprio mosquito transmite outras duas doenças com quadros semelhantes: zika e Chikungunya. Há casos em que a diferença é bastante sutil. Doutor Marcelo explica que vai depender de alguns sintomas que são mais frequentes em uma ou em outra. “Por exemplo, o Chikungunya causa dor articular, enquanto na dengue o incômodo é no músculo. No zika, as manchas na pele coçam e as dores de cabeça e no corpo são menos frequentes entre os sintomas. A vermelhidão nos olhos, no entanto, ocorre nas três doenças”, compara o pediatra.

Repelentes: por quais optar e como usar nos pequenos

Para os bebês, os mosquiteiros tornaram-se aliados indispensáveis no combate à epidemia, mas, quando o assunto é repelente, nem todos são eficazes para os pequenos pacientes.

Embora não seja tóxica e, portanto, não ofereça riscos, doutor Marcelo não recomenda a citronela. “Lançar mão de velas e pulseiras funciona muito pouco. Outra opção nada eficaz é a ingestão de vitamina B12. Há quem defenda que a substância fará com que o corpo exale um odor característico capaz de afastar o mosquito, o que não é comprovado”, alerta o especialista.

Mesmo que esteja autorizado para crianças a partir dos seis meses, produtos que tenham como composto base o IR3535, também são pouco eficientes. O tempo de ação se restringe a apenas duas horas e ajuda apenas no combate ao borrachudo. “Nas crianças não recomendamos borrifar repelentes mais de três vezes ao dia, então, os pais devem estar atentos à duração da proteção de cada produto. Considerando também este requisito, o produto que, atualmente, é recomendado para os pequenos é o grupo que contém Icaridina. A ação de repelentes com essa substância é muito boa para o combate ao Aedes aegypti e o uso a partir de dois anos de idade foi liberado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)”, afirma doutor Marcelo.

Há outros produtos disponíveis no mercado cujas fórmulas contêm DEET. “Estes também são boas opções liberadas pela Anvisa para crianças de dois anos, mas, em termos de eficácia no combate à dengue, a icaridina é a campeã, pois age por até 10 horas, enquanto os com DEET (na concentração indicada para os pequenos) são efetivos por cerca de 2 horas.”

Em dias quentes, as crianças devem estar protegidas não apenas do mosquito, mas também do sol, então, doutor Marcelo explica que o correto é aplicar o protetor solar primeiro e, só depois de 15 minutos, borrifar o repelente. Tenha atenção apenas para que o produto não chegue nem perto dos olhos! Por isso, para o rosto, o ideal é aplicar primeiro nas mãos e depois passar, protegendo a área dos olhos.

O pediatra não recomenda produtos dois em um: protetor e repelente. Isso porque o primeiro deve ser aplicado várias vezes, enquanto para o segundo, deve-se evitar, se possível, mais de três aplicações no caso das crianças.

Sempre que o clima estiver mais ameno, calças compridas e sapatos fechados auxiliam no combate à dengue. Evite passar perfume nas crianças. Citações em estudos da Academia Americana de Pediatria já alertam para o fato de o cheiro atrair os mosquitos, assim como roupas com estampas florais ou brilhantes.

Em casa, nunca é demais lembrar que eliminar água parada em recipientes diversos, sobretudo, em vasos de flores, é atitude simples que afasta os focos de dengue. No caso de folhagens, que, especificamente, devem ser mantidas na água, a recomendação da Secretaria de Estado da Saúde é de acrescentar uma colher de café de água sanitária para cada litro de água.

Fonte consultada:

Dr. Marcelo Vallada é pediatra do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo

 

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