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Febre, o alarme do nosso corpo

| 29.07.2014

da redação

Entenda quando e por que a temperatura sobe, e o que fazer com o seu filho pequeno nesses casos

Mãos frias e testa quente, desanimo e, às vezes, até falta de apetite. Criança com febre é sinônimo de pais preocupados. “A febre é um sintoma, e não doença, que é como o alarme contra ladrão. Quando dispara, sinaliza que há um invasor no corpo do seu filho, que há algo errado. Então, é muito valiosa nesse sentido. Mas ela é apenas o aviso, pois não há uma relação clara entre a febre e a gravidade da doença. Amigdalites (dor de garganta), por exemplo, causam febre alta, mas são controladas em poucos dias. Mas uma infecção grave pode abater tanto o organismo da vítima que ela nem terá energia para produzir uma febre tão alta”, explica o pediatra Cláudio Schvartsman, responsável pelo Pronto-Socorro do Instituto da Criança.

Ele explica que a temperatura do nosso corpo decorre de um equilíbrio de perda e ganho de calor. O controle é feito pelo Sistema Nervoso Central, cuja função é manter a temperatura ideal para o funcionamento do organismo, que é ao redor de 36,5ºC. Considera-se normal até 36,9ºC. Quando esse mecanismo de controle de temperatura do organismo é desequilibrado por mediadores fabricados por um processo de doença, ocorre a febre, que pode ser indício de duas situações distintas:

Inflamação: doenças reumatológicas, como artrites, não causam infecção alguma, porém, há um mecanismo de inflamação, que libera esses mediadores e causam febre.

Infecção: o que dispara a fabricação desses mediadores é um germe, micróbio, que desencadeia um gatilho com efeito final similar ao da inflamação. Por isso, às vezes é muito difícil diferenciar inflamação da infecção. Entretanto, a imensa maioria dos casos de febre em crianças ocorre por infecção, por conta da imaturidade do Sistema Imunológico e também devido à baixa exposição dos pequenos aos agentes infecciosos.

“A infecção pode ser causada por vírus ou bactéria. Com exceção do vírus Influenza, para os demais, não há remédio. Isso porque eles têm uma evolução que chamamos de autolimitada, que é dissipada pela própria defesa do organismo, em cinco dias, aproximadamente. Ambos alteram a temperatura, mas, a alteração é menor quando se trata de um vírus e maior no caso da bactéria. O estado geral e o apetite da criança também são mais abalados no último caso”, diferencia doutor Cláudio.

Quando a criança tem uma virose, o especialista explica que aquele vírus passa a fazer parte da memória imunológica e nunca mais vai causar infecção naquele indivíduo. Mas, como existem cerca de 80 vírus diferentes circulando no ar, os episódios de virose podem ser frequentes na infância até que a memória imunológica seja fortalecida.

Porém, até os três meses, esse fenômeno é muito sério. “A imaturidade imunológica é intensa. Então, se ele pega uma infecção, realmente é preocupante, porque a resposta imunológica é muito baixa e pode evoluir rapidamente para uma doença grave. Por isso, o recém-nascido deve ser mantido numa redoma. Muita gente pensa que ele está liberado ao tomar a primeira batelada de vacinas. Mas não tem nada a ver com isso. Sempre que possível, é importante que a mãe respeite o resguardo dos seis meses de vida”, recomenda.

Como agir diante da febre

De acordo com doutor Cláudio, considera-se febre acima de 37ºC e deve-se tratá-la acima de 37,5ºC a 38ºC. O banho frio está proibido, pois não resolve. Mesmo ao perder calor no chuveiro, o agente estranho vai continuar no organismo, e, portanto, os mediadores continuarão a dar ordem ao Sistema Nervoso Central para manter a temperatura alta. O correto, segundo o especialista, é ministrar o antitérmico, que regula o centro de controle da febre de novo. Entretanto, se o agente infeccioso continuar no organismo, a febre vai voltar. Por isso, o especialista reforça que o antitérmico é paliativo, não influencia em nada no tratamento da doença, apenas traz conforto ao paciente. Por isso, se a febre não ceder, apenas o médico terá condições de interceder de maneira efetiva.

Diante de um quadro febril, é comum a dúvida dos pais sobre a conduta correta. No caso de recém-nascidos, de até três meses, doutor Cláudio orienta a procurar imediatamente o pediatra de confiança da família. “Acima de três meses, os pais devem observar o estado geral. Se estiver razoável, ministre o antitérmico, aguarde duas horas e observe a evolução. Normalmente, nas doenças mais comuns, duas horas depois a febre diminui e o estado geral melhora. Mas se a criança continuar amuada, desinteressada e sem apetite é melhor que o médico avalie.”

Fonte: Cláudio Schvartsman é pediatra  formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, médico chefe do Pronto-socorro do Instituto da Criança e Vice-presidente do Hospital Albert Einstein

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