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Convulsão: emergência comum nos primeiros seis anos de vida


Por Kette Valente*

Ver seu filho se debater em uma crise convulsiva é assustador, mas tomar a atitude correta faz toda a diferença. Veja como você pode ajudá-lo

Na infância, assim como no adulto, há diferentes tipos de crises epilépticas, sendo que as que apresentam fenômenos motores podem ser chamadas de convulsões. Mas, podemos ter crises convulsivas e crises não convulsivas. No primeiro caso, as crianças se debatem excessivamente e podem ficar rígidas, com o corpo endurecido. Já nos episódios não convulsivos, pode haver apenas a perda do contato da criança com o meio em que ela está. O olhar fica parado, ela para de fazer o que estava fazendo e pode ficar um pouco confusa depois. Diante dos diferentes tipos de crises, o principal equívoco por parte dos pais é pensar que toda a criança que convulsiona tem epilepsia. Essa associação está errada.

Quais são os motivos que podem levar uma criança a convulsionar?

Frente a um quadro febril, infecções, desidratação ou traumas após queda (ex. traumatismo crânio-encefálico), as crianças podem convulsionar. Neste caso, temos uma crise decorrente de um problema agudo, ou seja, um fator desencadeante que, naquele momento, levou àquela crise. Isto não é epilepsia. A predisposição genética e a imaturidade do cérebro estão entre as causas do problema.

As crises secundárias a um evento podem ser causadas por um quadro momentâneo. Não caracterizam epilepsia e o paciente não precisa de medicação permanente. Neste contexto, é necessário tratar o problema que desencadeou a crise.

Dentre as crises secundárias da infância, a mais comum é a convulsão febril que pode ocorrer desde a fase da amamentação até os seis anos. Pode ser única ou recorrente, o que irá denotar que se trata de uma criança predisposta geneticamente a convulsionar a cada febre ou processo infeccioso, por exemplo.

A Epilepsia é diferente. Trata-se de crises epilépticas recorrentes, sejam convulsivas ou não, mas é necessário ter mais de uma crise ou uma grande chance de recorrência da crise, baseado no eletroencefalograma, para caracterizar a doença. Mesmo assim, boa parte das epilepsias na infância é tratável e curável. O mito de que a doença é para a vida inteira não é real para todos os pacientes.

Durante a crise: o que fazer e o que está proibido?

O medo mais comum dos pais é de que seus filhos sufoquem ao convulsionar, mas não há o menor risco disso ocorrer, já que não há como a língua ir para trás, sufocando a criança. Isto é um mito. O importante é não colocar a mão ou qualquer outro objeto para manter a boca da criança aberta ou desenrolar a língua. Não há o que os pais possam fazer além de virar o corpo e a cabeça do paciente de lado para evitar engasgos e proteja-o com travesseiro para que não se machuque com os movimentos. Tenha paciência e saiba que a convulsão é um fenômeno autolimitado, com começo, meio e fim, e que costuma durar até dois minutos.

Entretanto, se os movimentos persistirem por mais de cinco minutos, a criança deve ser levada ao Pronto-Atendimento para avaliação médica. Depois de convulsionar, ela pode apresentar sintomas como confusão mental, sonolência e choro. Vale ressaltar que a convulsão é como um exercício vigoroso, por isso, pode incomodar causando dores pelo corpo. Nesse caso, analgésicos podem ser administrados para combater os sintomas. Ao contrário do que a maioria pensa, não há contraindicação em deixar a criança dormir após a crise.

*Doutora Kette Valente é neurofisiologista do Hospital das Clínicas e professora livre-docente de Neurologia Infantil da Faculdade de Medicina da USP.

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