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Anafilaxia: quando a alergia é grave

| 13.10.2014

Hany Simon

Qualquer sintoma de pele associado a outro que comprometa a respiração, circulação ou digestão do seu filho deve despertar a sua atenção. Não tente resolver em casa. Procure o serviço médico de emergência

Coceira, inchaço ou manchas vermelhas. A primeira reação alérgica sempre é uma surpresa para os pais. Mas sempre quando esses sintomas de pele estiverem associados ao comprometimento de outros sistemas do organismo, como dificuldade de respirar, desmaio, tontura, palidez, vômitos ou diarreia os pais devem ficar atentos! O quadro alerta para uma reação alérgica grave, a chamada anafilaxia, que pode causar risco de morte à criança. Por isso, o recomendável é procurar o serviço médico de emergência imediatamente. Medicar o paciente por conta própria com antialérgicos ou corticoides não resolve o problema. Ao contrário, perde-se tempo precioso para um atendimento adequado.

Infelizmente, crianças de todas as faixas etárias estão sujeitas a apresentar (ou desenvolver ao longo da vida) alergia a algum desencadeante, que pode ser alimento, medicamento, picada de inseto, etc. Não existem características orgânicas específicas para determinar suscetibilidade para ser ou não alérgico. Apenas mediante a reação, que sinaliza que o sistema imunológico do paciente respondeu em defesa àquele componente, que foi visto como agressor pelo organismo.

Tá na mesa!

Muito se ouve falar a respeito dos alimentos, que são os campeões em provocar alergia. De fato produtos como leite, ovo, oleaginosas e frutos do mar são grandes desencadeantes, mas é preciso observar a faixa etária também. Até os cinco anos, mais da metade dos casos é causada por alimentos. Mas, a partir dessa idade, o perfil de atividade da criança muda, ela vai sendo exposta a outras coisas que podem causar alergia grave como picada de inseto, componentes químicos de medicamentos etc. Mas, atenção! Se o seu filho for picado por um inseto e você perceber somente um inchaço grande no local, trata-se de uma alergia simples de ser contornada. Anafilaxia implica no comprometimento de outro órgão também. No entanto, se a picada não inchar tanto, mas o pequeno apresentar dificuldade em respirar pode ser anafilaxia.

Pronto-socorro em casa?

Não há o que os pais possam fazer além de agir rapidamente ao se deparar com os sintomas. Portanto, a primeira coisa é aprender a reconhecer que determinados sinais se referem a uma reação alérgica grave:

 

Inchaço, coceira, vermelhidão na pele + diarreia, vômito, desmaio, dificuldade em respirar, tontura ou palidez

 

Cuidados diante da anafilaxia

Frente a alguma combinação desses sintomas, leve a criança ao atendimento de emergência mais próximo.

Ao comprovar a anafilaxia, para combatê-la, o médico irá aplicar adrenalina injetável e investigar o agente causador.

A partir de então, o ideal é que a criança ande com uma pulseira de identificação com a seguinte inscrição:“Anafilaxia a determinado alimento ou reagente.”

Os pais devem ser orientados a usar adrenalina injetável e ter o medicamento em casa caso o filho tenha contato acidental com o componente alérgeno.

Existe também uma caneta de adrenalina injetável que a criança pode levar consigo.

Informe a escola, o clube e todos os lugares que seu filho frequenta sobre a alergia, para que todos que convivam com ele saibam que o determinado produto deve ser evitado para o resto da vida.

Grupos de risco

Em crianças menores de dois anos, a anafilaxia é mais difícil de ser reconhecida, pelo menos de bate-pronto, como deve ser, já que os pequenos não falam. Definitivamente, neste caso, a alergia grave não é algo simples para os pais identificarem sem auxílio médico. Então, o sinal vermelho deve acender diante da manifestação de pele. Frente a este sintoma e de uma alteração comportamental fora do comum, como irritação, choro incessante, procure o serviço de emergência.

A atitude reivindicatória e a necessidade de estar inserido e de ser aprovado por um determinado grupo, são características peculiares da adolescência, faixa etária que também é considerada de risco, já que pode se arriscar sem medo e ter mais resistência a um limite imposto pela condição de alérgico.

*Dr. Hany Simon é pediatra emergencista e atua no Pronto-Socorro do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas FMUSP

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