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Os primeiros dias do bebê em casa

| 05.02.2016

da redação

O que esperar dos cuidados em casa? Como conduzir a amamentação? É possível amenizar as cólicas?

Quando nasce um bebê, nasce também uma mãe? Pode ser que sim, mas a maternidade não é instantânea. É algo que aflora com o tempo, não apenas com o que chamam de instinto, mas também com a experiência do dia a dia com o contato e as trocas constantes com o seu bebê. E isso pode levar um tempo. Até que vocês se apresentem um para o outro, de fato, e você aprenda a reconhecer os diferentes choros, sinais de fome, sono, e outras necessidades do seu pequeno. No começo pode ser difícil, mas, aos poucos, as dúvidas vão se dissipando à medida que o vínculo materno vai se fortalecendo. Para lhe ajudar nessa doce missão de apresentação mamãe e bebê, convidamos a doutora Cecília Nan Tsing Lin, neonatologista do Instituto da Criança, que dará dicas preciosas a seguir.

Consulte um pediatra durante a gestação

Antes mesmo da chegada do bebê, a visita ao pediatra pode abrir caminhos para que o médico saiba como anda a gravidez: você apresentou alguma doença ao longo dos meses? Como tem sido o pré-natal? A oportunidade é valida também para que o profissional a oriente sobre como preparar os seios para amamentação, avaliando protrusão dos bicos etc.

Frequente cursos preparatórios para gestantes

O que esperar dos últimos meses de gravidez? Como identificar os sinais de trabalho de parto e o momento certo de ir para a maternidade? Além de sanar dúvidas como essas, os cursos preparatórios orientam a futura mamãe sobre amamentação e demais cuidados básicos ao bebê. Normalmente, a programação é ministrada por médicos e profissionais da equipe multidisciplinar em saúde. Escolha uma instituição hospitalar de credibilidade, que lhe transmita confiança, e o conteúdo será muito útil para preparar mamãe e papai para a chegada do bebê.

Os dois lados do alojamento conjunto

O sistema hospitalar em que mãe e filho permanecem juntos no quarto, desde o parto até a alta, pode, de imediato, encantar muitas mulheres, que não veem a hora de conhecer seu bebê. Na opinião de doutora Cecília, ainda que o alojamento conjunto seja uma boa oportunidade de estreitar o vínculo, facilitar o início da amamentação e apresentação da mãe e do bebê, há que se considerar alguns aspectos importantes: “Ainda que o bebê tenha nascido de parto normal, a mãe deve contar com um tempo para se recompor, descansar. Então, contar com o berçário nas primeiras horas de vida pode ser benéfico nesse sentido.”

Ainda na opinião da neonatogista, na primeira hora do bebê, o correto seria a equipe médica e multidisciplinar perguntar primeiro à mãe se ela está em condições de receber o filho.

Amamentação e seus dilemas

Visto nas cenas de filmes, o aleitamento materno pode parecer quase que instintivo desde as primeiras horas de vida. Mas, na prática, amamentar logo após o nascimento pode não ser tão simples assim. O bebê não nasce sabendo mamar e você também deverá ser orientada sobre como estimulá-lo da maneira correta. “Sem contar que, logo após o parto, não podemos nos esquecer de que é bem possível que a mãe esteja indisposta, ou sentindo dor. Então, é preciso ter paciência. Muitas mulheres se cobram pelo sucesso da amamentação ainda na sala de parto com medo de que seu bebê sinta fome. O que muitas não sabem é que, desde que passem por uma gestação saudável, as crianças nascem com uma reserva de nutrientes que fora armazenada através do cordão umbilical. Com isso, ganha-se um tempo para que a mãe se restabeleça, e ela e seu bebê se familiarizem com o aleitamento”, explica doutora Cecília.

Enquanto isso, é importante contar com o apoio dos médicos e enfermeiros que deverão passar instruções sobre a pega correta e cuidados com o seio, imprescindíveis para evitar dor e fissuras nessa região. Já desde os últimos meses de gravidez, a especialista recomenda que a mãe evite passar sabonete diretamente nos seios, quando pode ocorrer pequenos escapes de leite. É importante também manter os seios sempre secos, e caso opte pelos absorventes, troque-os com frequência.

Outro ponto de atenção é o peso do recém-nascido. Ao nascer, ele estará mais inchado por conta da condição intraútero, por isso, a tendência é que, nos primeiros dias, ocorra perda de peso. “Isso é normal, mas a mãe deve observar que, se o filho estiver mamando bem, em uma semana a dez dias ele terá retomado o peso que tinha ao nascer”, comenta doutora Cecília.

Como proceder nos primeiros banhos e trocas de fralda

Nos primeiros dias após o nascimento, você vai notar que a pele de seu filho estará coberta de uma substância branca e oleosa. Trata-se do vernix ou verniz caseoso, cuja função é hidratar e proteger o bebê de ações bacterianas e não deve ser removida com esfregões. Essa substância vai sair normalmente após alguns banhos.

A higiene do bebê é algo que inspira dúvidas, sobretudo, para as mães de meninas. Doutora Cecília explica que a vagina deve ser limpa sempre de cima para baixo e de dentro para fora (abrindo bem, primeiro, os pequenos lábios e, depois, os grandes lábios). O ideal é usar algodão embebido com água morna. “O lenço umedecido facilita as trocas de fralda fora de casa, mas, deve ser usado em último caso, pois, até mesmo os que se dizem apropriados para os recém-nascidos, podem conter aditivos químicos prejudiciais para a pele do bebê. Além disso, por deixar a pele úmida, o lenço pode favorecer dermatite por fungos”, afirma a neonatologista.

Até os dois meses, o bebê não tem maturidade suficiente para controlar a própria temperatura, então, é natural que ele perca calor muito facilmente. Por isso, durante o banho, lave e, logo em seguida, enxugue a cabeça para evitar que o bebê fique com frio. Só depois higienize o corpo.

Vestir o recém-nascido também requer bom senso para que a temperatura do corpo esteja adequada. “Se agasalharmos demais o bebê sua, se agasalharmos de menos, o corpo vai perder temperatura. Nas duas condições, há perda de energia, que pode fazer com que o bebê não ganhe peso. Na hora de mamar, também é importante verificar a temperatura, pois, se estiver com frio, ele pode não ter força para sugar”, detalha doutora Cecília.

A dica de verificar se os pezinhos e mãozinhas é válida, no entanto, há que se considerar o ambiente no entorno do bebê e, novamente, o bom senso. Se o local estiver frio, naturalmente, o bebê irá acompanhar essa temperatura.

E os banhos de sol?

O contato com o sol é recomendado desde a infância, pois o astro rei é fornecedor de vitamina D, que atua na prevenção de doenças crônicas, favorece o ganho de imunidade ao organismo e, atrelado ao cálcio, é essencial ao fortalecimento dos ossos. Recém-nascidos, no entanto, inspiram cuidados por conta da ultra sensibilidade da pele. “O sol adequado para esses pequeninos costuma ser o de antes das 9h ou após as 17h. Mas, como em algumas regiões do país ocorrem muitas variações de temperatura, fica difícil cravar uma regra. Então, durante os dois primeiros meses, preconizamos suplementação de vitamina D via oral para não correr riscos”, afirma a especialista.

É hora de visita?

É natural que a chegada do bebê gere ansiedade nos familiares e amigos, que não veem a hora de conhecê-lo. Mas a reação das mães varia bastante. Algumas optam por manter a casa aberta, na tentativa de aderir a um clima mais natural possível e também para estar cercada de pessoas que possam ajudar nos cuidados, além de lhe fazerem companhia. Outras mulheres adotam uma postura mais radical e preferem autorizar as visitas somente depois que o filho completa um ou mais meses. Doutora Cecília defende a última opção, pelos seguintes motivos: o primeiro mês é de pura adaptação. Por um lado, mamãe e bebê precisam se conhecer, a mulher, em geral, está cansada e deve, por bem, aproveitar os momentos de trégua do pequeno para repousar. Além disso, a reclusão é uma proteção à imunidade do bebê, que, até os dois meses não terá tomado as primeiras vacinas, então, é natural que esteja mais vulnerável a vírus e bactérias. “Nessa idade, mesmo uma gripe pode se tornar algo sério, por isso, sempre defendo o resguardo da mãe e do bebê. E até oriento que, caso os pais se sintam intimidados em restringir as visitas, é só colocar a culpa no pediatra”, diz a neonatologista.

Como amenizar as cólicas?

Normalmente, as dores abdominais que tiram o sono do bebê (e da mamãe) têm início entre o 10º e o 15º dia de vida e podem perdurar até os três primeiros meses, por conta do intestino, que ainda é imaturo. Doutora Cecília explica que, além de a digestão ser mais lenta, nos primeiros meses, o bebê só respira pelo nariz, então, quando congestiona, ele tem dificuldade para mamar, não consegue sugar e engole ar. Isso também pode contribuir para o acúmulo de gases e, consequentemente, as cólicas. Como sugestão para combater o problema, peça ao seu pediatra que lhe explique ainda nas primeiras consultas como higienizar o nariz do seu bebê. Com as vias nasais desobstruídas a probabilidade de o pequeno sofrer com dores abdominais se torna menor.

“Outro ponto que vale destacar é que o leite materno é o alimento ideal para o recém-nascido, sendo assim, bebês que são amamentados tem menor chance de apresentar cólicas,” complementa a especialista.

Para amenizar o sofrimento dos pequenos, você pode massagear suavemente o abdome no sentido horário ou fazer compressas mornas na região utilizando fraldas passadas no ferro. “Além disso, as mães devem ter em mente que esta é uma fase passageira, que as cólicas tendem a melhorar entre os dois a três meses de vida”, tranquiliza doutora Cecília.

Fonte Consultada

Dra. Cecília  Nan Tsing Lin, neonatologista do Centro de Terapia Intensiva Neonatal 2 do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo

 

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