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Quando o seu filho não dorme bem…


da redação

Ele reluta em acordar para ir à escola? Passa o dia irritado e as notas caíram no boletim? Fique atento à qualidade do sono antes de repreender o seu pequeno

Se sair da cama logo cedo é tarefa dura para muito marmanjo, o que dirá para as crianças. Mas, se o seu filho demonstra recusa em ir para a escola, dificuldade em acordar pela manhã, irritabilidade, alterações de humor e baixas no rendimento escolar, o comportamento pode ir além da preguiça ou da birra. Antes de chamar a atenção do pequeno avalie se ele, de fato, está dormindo bem.

“O processo de aprendizado tem muitas etapas, mas a motivação é uma das mais importantes. Se a criança estiver cansada e irritada, não irá conseguir se motivar e, então, o mau desempenho se torna consequência direta”, afirma a doutora Letícia Soster, coordenadora do laboratório do sono do Instituto da Criança.

Ao final do ano passado pesquisadores australianos avaliaram a relação entre transtornos do sono e a recusa em ir para a escola. Para isso, eles entrevistaram os pais de cerca de 1500 crianças de 8 a 11 anos e aplicaram um questionário. Os entrevistados tinham que apontar o quanto percebiam que o filho estava enrolando pra ir à aula ou o quanto tinham perdido o estímulo. Os resultados mais altos eram daqueles que tinham históricos de transtorno do sono (parassonias, como sonambulismo, terror noturno, pesadelo, insônia comportamental da infância, que no caso das crianças, é a recusa em ir para a cama).

O sono tem função restauradora para que o dia seguinte seja tranquilo e produtivo. Doutora Letícia explica que ao roncar, falar ou ter qualquer outra interferência durante o descanso, o indivíduo poderá ter, a longo prazo, consequência diurna. Ela conta que 10% dos pais de pequenos de até três anos afirmam em consulta ao pediatra que o filho apresenta algum transtorno do sono. “Essa pesquisa avaliou as consequências em crianças maiores, ou seja, em idade em que elas devem demonstrar rendimento escolar”, complementa a especialista.

A mudança de comportamento indicativa de alterações no sono também pode ser decorrente de uma mudança brusca de rotina. A criança estudava no período da tarde e passou para a manhã, dormia até mais tarde e passou a fazer esporte ou curso de idioma neste período, por exemplo. Nesse sentido, a sobrecarga de tarefas também pode ser um indicativo alarmante.

Em uma época em que muitos pais visam preencher o tempo dos filhos com atividades extracurriculares, cursos de idioma e prática de esporte, vale o alerta para redobrar a atenção e se preocupar, em primeiro lugar, se ele tem uma noite tranquila. “Muitos pais negligenciam os problemas com o sono de seus filhos, quando, na verdade, deveriam respeitar o período de descanso e reparar se há alguma intercorrência, principalmente, no que diz respeito ao desempenho diurno. Diante desse quadro, procure o pediatra ou médico especialista em Medicina do Sono para orientá-los à melhor conduta em prol do bem-estar da criança”, conclui doutora Letícia.

Fonte:

Doutora Letícia Soster, é pediatra, especialista em medicina do sono e coordenadora do laboratório do sono do Instituto da Criança.

 

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