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Por uma gravidez sem álcool

| 06.03.2015

*Por Conceição Segre

Para proteger seu filho da Síndrome Alcóolica fetal, pare de ingerir bebidas alcóolicas diante da menor suspeita de gravidez. Nem uma taça, nem um brinde, pois não há dose segura estabelecida para a saúde do bebê

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Durante a gravidez você já deve ter ouvido: “Uma tacinha de vinho pode. Apenas uma dose para o brinde não vai fazer mal.” Ledo engano. A partir da concepção, não há estabelecimento de dose segura para o bebê, sobretudo, durante as primeiras oito semanas. O problema é que, justamente neste período, 50% das mulheres ainda não sabem que engravidaram e, portanto, na maioria das vezes, não interromperam a ingestão de bebidas alcoólicas. Por isso, fique atenta! O casal parou de evitar gravidez e já planeja ter filho? Há suspeitas de bebê a caminho? Diante do mínimo risco de concepção, pare de beber.

Bebidas alcóolicas atuam prejudicialmente e de maneira generalizada na formação de diversos órgãos vitais ao nosso organismo, como o coração e o cérebro. Isso porque suas substâncias agem preferencialmente nos tecidos do Sistema Nervoso Central, podendo causar a Síndrome Alcóolica Fetal (SAF). Trata-se de um grupo de sintomas e sinais que o bebê apresenta em decorrência do consumo de álcool pela mãe durante o período gestacional. São eles:

Alterações faciais

Malformações cardíacas e em outros órgãos vitais

Baixo rendimento escolar com comprometimento grave na inteligência, sobretudo, no raciocínio lógico e matemático

Problemas de relacionamento sociais

Tendência ao alcoolismo

Importante ressaltar que a SAF pode apresentar-se de maneira completa (com sinais faciais aparentes e o conjunto de sintomas mais delineado) ou incompleta, com acometimento no rendimento escolar. Daí a dificuldade de cravar o diagnóstico de maneira precoce, já que o paciente só vai demonstrar déficits de aprendizado durante a fase escolar. Neste ínterim, Transtornos de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) também podem ocorrer em decorrência da SAF.

Sempre que possível o diagnóstico precoce auxilia no tratamento desses pacientes, para o qual não há indicação de remédios, apenas a atuação de médicos e equipe da saúde em função das correções das malformações, sobretudo, as cardíacas, além de acompanhamento com psicólogo e terapeuta ocupacional, e outros profissionais da saúde focados em extrair o melhor rendimento possível desses pacientes.

No entanto, ainda verificamos que a falta de transparência e esclarecimento das mulheres acerca do problema ainda são complicadores para auxiliar os médicos na detecção precoce do problema. Muitas mães, durante a anamnese clínica, não admitem ter bebido álcool durante a gestação ou não tinham conhecimento dos males que a ingestão poderia ocasionar ao seu bebê.

Segundo a Organização Nacional de Síndrome Alcoólica Fetal, aproximadamente 40 mil crianças em todo o mundo sofrem de SAF a cada ano. As campanhas de divulgação, a orientação correta por parte dos obstetras durante o pré-natal e a conscientização das futuras mamães sobre a sua responsabilidade na gestação, ainda são as melhores armas para reduzirmos as estatísticas.

*Conceição Segre é coordenadora do grupo de trabalho da sociedade de Pediatria de São Paulo sobre Síndrome Alcoólica fetal, Livre Docente em Pediatria Neonatal, membro da Academia de Pediatria, da Sociedade Brasileira de Pediatria  e membro da Academia de Medicina de São Paulo

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