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Reações adversas ao leite de vaca

| 23.10.2013

da redação

Intolerância ou alergia?

Você deve ter reparado que nunca se falou tanto de alergia alimentar. Alergia ao leite, ao ovo, às frutas… Parece até estranho, pois antes quase não se comentava sobre isso. Então, o que será que está causando esse problema na população? A doutora Cristina Miuki Abe Jacob, chefe da Unidade de Alergia e Imunologia do Instituto da Criança, explica que provavelmente, fatores ambientais como poluição, tipo de dieta e infecções, podem provocar alterações no nosso DNA causando modificações que podem levar ao desenvolvimento de alergia. “Assim, pessoas que não tinham predisposição genética, depois do contato com estes fatores, podem passar a ser alérgicas. Atualmente, há diversos estudos em andamento que visam entender melhor estes efeitos”, explica doutora Cristina.

Atualmente, a alergia alimentar acomete 6% das crianças e entre 3 a 4% dos adultos no mundo todo. O leite é o alergeno campeão, comprometendo 2,5 % das crianças nos primeiros três anos de vida. Os pacientes podem apresentar vários tipos de reações clínicas, como choque anafilático com risco de vida, urticária, inchaço na boca, diarreia, vômitos, entre outros. Por isso, se o seu filho apresentar esses sintomas após uma refeição ou até mesmo depois de entrar em contato com algum cosmético ou medicamento, fique atento. Pode ser um indício de alergia ao leite de vaca, uma das mais importantes alergias alimentares na faixa etária pediátrica, cuja prevalência triplicou nas últimas décadas, em especial entre os menores de cinco anos.

“Sabemos também que a alergia está mais persistente e não melhora mais aos três ou quatro anos, como antigamente. É importante ressaltar também que há dois tipos diferentes: o imediato, cujos sintomas ocorrem quase que imediatamente após o contato com o leite e outro chamado tardia, em que os sintomas podem demorar até dias para se manifestarem e estão principalmente relacionados ao trato gastrointestinal, como diarreia e vômitos. A evolução mais lenta e demorada tem sido mais associada à do tipo imediato”, distingue a especialista.

Aprenda a distinguir alergia da intolerância ao leite de vaca

As pessoas confundem muito os dois diagnósticos. Para não ter erro, doutora Cristina esclarece que o termo alergia deve ser aplicado somente quando a reação imunológica ocorrer contra uma proteína do leite de vaca com manifestações como urticária, choque anafilático, entre outras. Já a intolerância ao leite de vaca se refere à dificuldade em quebrar um açúcar do leite de vaca (lactose) para então ser absorvido em partículas menores. A responsável por essa quebra é uma enzima chamada lactase e na intolerância à lactose existe uma falta desta enzima no organismo, o que, portanto, inviabiliza quebrar a lactose. Neste caso, as manifestações são aquelas relacionadas ao trato gastrointestinal como: diarrreia, vômitos e cólicas.

Deve ser observado que as manifestações da alergia alimentar que acometem o trato gastrintestinal podem se confundir com as manifestações clínicas da intolerância à lactose.

Neste caso, o médico deve analisar cuidadosamente e, se achar necessário, solicitar exames que auxiliem a diferenciação entre os diagnósticos. Doutora Cristina ressalta que antes de solicitar exames laboratoriais, o médico deve realizar uma boa anamnese clínica, avaliando a relação dos sintomas com a ingestão do alimento.

A partir do relato do histórico da criança, o profissional tentará avaliar a necessidade dos exames para o diagnóstico provável. Ao contrário da orientação, muitos profissionais se deixam influenciar apenas pelos exames laboratoriais, o que não está correto. É importante destacar também que a maioria dos exames laboratoriais disponíveis identifica somente a alergia imediata. Para a tardia vale mais o diagnóstico clínico, análise das fezes para verificar a presença de sangue, ficando a biopsia de intestino em casos extremos.

O que fazer diante da alergia?

Até o momento, o tratamento se restringe à exclusão do leite e de todos os seus derivados da alimentação da criança. Não adianta recorrer a outras fontes animais como a cabra, por exemplo, cujo leite é idêntico ao leite de vaca. “Já atendi pacientes com alergia ao leite em choque anafilático, após ingestão de leite de cabra”, afirma doutora Cristina.

Em relação ao tratamento, é fundamental a busca por orientação médica para evitar substituições inadequadas e alterações do ganho de peso da criança. Hoje existem várias alternativas no mercado para a substituição do leite de vaca, mas nem todas são adequadas. Para isto procure ajuda do médico da sua criança que certamente indicará a melhor do ponto de vista nutricional.

De olho no rótulo!

É importante também que os médicos não se esqueçam da parte educacional que é fundamental para o tratamento de alergia ao leite. “Eles devem orientar os pais a ler os rótulos não apenas de alimentos, mas também de cosméticos e medicamentos que podem conter proteínas do leite”, salienta a especialista.

Fique de olho nos lencinhos umedecidos. Sim, eles também podem conter leite, assim como os hidratantes. “Existem cremes para assadura de criança que usam em sua fórmula óleo de amendoim, que também é alergênico. Então, o médico precisa conhecer bem essas informações para poder transmitir adequadamente ao seu paciente”, alerta a doutora.

Lactose, caseína, caseína. Todas essas substâncias podem conter leite. Doutora Cristina diz ainda que, às vezes, a rotulagem é inadequada dificultando a leitura de palavras escritas em letras muito pequenas ou em locais de difícil visualização na embalagem.

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