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Intolerância à lactose

| 09.10.2014

da redação

Quando a ingestão de leite e seus derivados provocar desarranjos intestinais recorrentes, soa o alarme e é hora de investigar

Cólicas, distensão abdominal ou diarreia podem ser sintomas de uma simples indisposição, mas merecem ser analisados com mais cuidado quando aparecerem pouco tempo depois de consumir leite ou algum de seus derivados. Neste caso, o desarranjo intestinal pode sinalizar intolerância à lactose. “É sinal de que o organismo do indivíduo produz de forma deficiente ou não produz lactase, enzima responsável pela quebra da lactose, para que esta seja absorvida corretamente”, explica doutora Yu Kar Ling Koda, gastroenterologista do Instituto da Criança.

Por apresentarem sintomas muito parecidos, há confusão acerca do diagnóstico de intolerância à lactose e alergia ao leite de vaca. Mas doutora Yu resume a diferença: o leite é composto de carboidratos (açúcar), gordura e proteínas. Quando falamos em intolerância à lactose, estamos nos referindo ao açúcar do leite. No caso da alergia é a proteína do leite que está relacionada. É por isso que alergia à lactose não existe, pois a lactose é proveniente do carboidrato enquanto a alergia está relacionada à proteína do leite.

A única semelhança diz respeito ao tratamento, que em ambos os casos, o consumo de leite e seus derivados é banido do cardápio.

Entenda as causas

Felizmente, medidas de saúde pública como as campanhas em prol do aleitamento materno e de vacinação contra o rotavirus, além de melhorias no saneamento básico e nas condições de higiene da população, diminuíram drasticamente a prevalência de diarreia e desnutrição, principais causas da intolerância, que era comum na década de 70 e 80. Com isso, os índices de intolerância também caíram.

No entanto, os casos remanescentes são mais frequentes em adultos e é muito raro um bebê nascer com a forma congênita da doença. “O que acontece é que a natureza é muito sábia. Como o bebê tem que tomar leite, as crianças nascem com um nível muito alto de lactase. À medida que elas crescem, com cerca de quatro, cinco anos de idade, como a necessidade de ingestão de leite diminui, cai também o nível de lactase. Sendo assim, quando os pequenos ingerem mais leite do que podem tolerar, apresentam os sintomas”, detalha a especialista.

No entanto, o quadro é mais comum quando a criança enfrenta outra doença, a exemplo da diarreia crônica ou desnutrição (já que para que o organismo produza a lactase é preciso proteínas e outros nutrientes). Essas situações podem levar à intolerância à lactose, mas de forma secundária.

Já o adulto pode nem saber que é intolerante, mas sabe que se tomar muito leite se sentirá mal. “Então, por mecanismo de defesa, ele consome pouco ou não consome leite e passa a vida toda sem saber que tem o problema. O termo, portanto, também é relativo à quantidade de enzima que o indivíduo produz”, complementa.

Doutora Yu também explica que a prevalência da doença também é relativa à cultura, a exemplo dos asiáticos, que por costume milenar, não consomem muito leite. Então, o organismo, naturalmente, baixou os níveis de lactase.

Fonte: Yu Kar Ling Koda é especialista em Gastroenterologia pela Associação Médica Brasileira, Sociedade Brasileira de Pediatria e Federação Brasileira de Gastroenterologia . Mestra em Pediatria e Doutora em Medicina pela Universidade de São Paulo. Chefe da Unidade de Gastroenterologia do Instituto da Criança – HC -Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. 

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