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Atenção redobrada ao cardápio!

| 02.07.2015

Lenycia Neri

Durante a gravidez, atente para uma alimentação equilibrada e de fontes confiáveis. Evite alimentos crus e abuse de fibras, frutas e legumes. O bom desenvolvimento do seu bebê, em grande parte, está em suas mãos e se deve ao que você leva à mesa

Ingerir frutas, legumes e balancear o consumo dos diversos grupos alimentares é importante para a saúde todos, e ainda mais essencial às grávidas, responsáveis pelo bom desenvolvimento do bebê de maneira global. Nesta etapa inicial da formação de um indivíduo, ocorre também a programação metabólica do bebê, que é realizada a partir dos nutrientes ofertados pela mãe. Dessa forma, quando essa oferta não se dá de maneira satisfatória e o bebê não se desenvolve nem ganha peso de forma adequada, o organismo dele pode se programar para receber e armazenar essas substâncias durante a vida. A longo prazo,  esse quadro pode tornar seu filho suscetível a problemas como obesidade, hipertensão ou diabetes.

Por isso, sempre que possível, o ideal é que o casal planeje a gravidez. Assim, com o acompanhamento de um nutricionista, a futura mamãe pode checar se sua alimentação está equilibrada e se está fornecendo todos os nutrientes necessários para o bebê. Pode também iniciar a suplementação de ácido fólico, substância essencial durante o primeiro trimestre da gestação, mas que deve continuar sendo ingerida durante toda a gestação, para auxiliar no bom desenvolvimento do sistema neurológico, que já começa a se formar.

Folhas verdes escuras como espinafre, rúcula e couve são ricas em ácido fólico, entre outros nutrientes, portanto, são uma boa pedida durante a gravidez. Além disso, o governo decidiu suplementar todas as farinhas do mercado com acido fólico. Mas, ainda assim, é bom se certificar, por meio de exame de sangue, se seus níveis estão adequados ao bebê, e, com solicitação médica, suplementar sempre que necessário.

Sobrepeso e obesidade

Estar em guerra com a balança antes de engravidar não é uma boa ideia. O excesso de peso diminui a fertilidade da mulher, que, quando consegue engravidar, está mais suscetível a algumas complicações como o aumento da pressão arterial, ganho de peso excessivo, diabetes gestacional etc.

Neste caso, é extremamente importante seguir com acompanhamento nutricional durante toda a gestação, para que ingira os nutrientes necessários sem ganhar mais peso do que o indicado caso a caso. Assim, fornecerá os nutrientes para o bebê na medida certa, sem correr riscos durante a gravidez.

Entre as principais queixas das gestantes estão os enjoos e a depressão pós-parto. Os enjoos costumam ocorrer no primeiro trimestre, fase em que há grandes alterações hormonais. Por isso, é recomendado ingerir alimentos secos ao acordar (como biscoitos salgados), não misturar quente e frio na mesma refeição, evitar odores e sabores fortes, além de frituras e condimentos muito fortes. O refresco de limão e laranja (assim como outras frutas cítricas), consumido entre as refeições, auxilia no alívio dos sintomas. Além disso, as refeições devem ser feitas de três em três horas e em pequenas porções.

Já a depressão pós-parto ainda é muito estudada e o único nutriente relacionado à melhora do quadro é o ômega 3. No entanto, os dados científicos ainda não são precisos a esse respeito.

A hidratação x fluxo de leite

A hidratação é fundamental para toda gestação e essencial na amamentação. Só de pensar que podemos produzir cerca de oito litros de leite ao dia, pense no quanto devemos beber de água! É comum as gestantes ingerirem 5 a 6 litros de água por dia, e o leite deve estar presente em três porções diárias (nos lanches). Os sucos naturais podem entrar no cardápio como representantes do grupo das frutas. Durante o alto verão, a água de coco é uma ótima pedida!

Evite bebidas industrializadas ricas em açúcar e chás ou café estimulantes (ricos em cafeína).

 

Sinal verde 

– Abuse de frutas, verduras e legumes: quando a mãe ingere esses alimentos, há uma tendência maior de o bebê aceitá-los melhor na fase de introdução da alimentação complementar. A impressão é que eles “aprendem” os sabores ainda dentro do útero

– Abuse das verduras verdes escuras, que são ricas em várias vitaminas e minerais essenciais para a gestação

– Coma peixes três vezes por semana de fontes confiáveis. Prefira os de águas profundas e frias, como sardinha, salmão, pois são ricos em ômega 3

 

 

 

Sinal vermelho 

Evite café, chás (mate, preto, verde). Ricos em cafeína, são estimulantes do Sistema Nervoso Central e o consumo deve ser esporádico durante a gestação

 

– Não coma alimentos crus em restaurantes não confiáveis. Gestantes estão mais susceptíveis a toxiinfecções alimentares, que podem ser graves ao bebê. Portanto, evite comer peixes e verduras cruas em estabelecimentos públicos (não temos certeza de como foram higienizados)

– Adote uma alimentação rica em fibras: alimentos integrais, verduras e legumes auxiliam no bom funcionamento do intestino, já que é comum durante a gestação ter episódios de obstipação (intestino preso).

 

 

 

 

Lenycia Neri é nutricionista do Instituto da Criança HC FMUSP e diretora da Nutri4Life Consultoria em Nutrição (www.nutri4life.com.br)

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